Estou-me nas tintas se a escuridão não me permite ver, e
obriga a contentar-me somente com aquilo que sou capaz de sentir. Estou-me nas
tintas se devora a cor do mundo para brilhar mais, ou se se deixa ficar preto e
branco para eu poder ver as folhas do outono, o sol a raiar, a gravata vermelha
ou o sutiã carmesim.
Não ligo se os pelos me picam, os teus? Os meus? Ou se o batom
me deixa borratado, ou se os lábios secos beijam com vontade de me ter...
Procuro o toque, quer seja suave ou um pouco mais intenso.
Procuro o corpo na delicadeza ou na firmeza. A vontade de viver ou morrer na
minha companhia.
Mas é incontestável, que aquilo que de verdade desejo é
sentir amor… ou talvez deseje mesmo é viver. E porque não os dois?
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